É preciso fazer uma obra fictÃcia que não é baseada em história real, para contar um pouco da verdade do ambiente polÃtico brasileiro e esboçar o desejo e o grito de um povo insultado.
Lembro-me que havia um movimento chamado de "Brado Retumbante" lá pelo idos dos anos 60 e que durou até a posse de José Sarney (momento dÃficil que nunca irei esquecer, assim como a morte de Tancredo Neves, os comicios pelas "diretas já" e aquela massa de gente pelas ruas). Era tudo muito forte para uma menina que ouvia atentamente seu pai apaixonado e esperançoso por mudanças.
Quando ouvi o nome da miniserie da Globo, imaginei que retrataria esta época ou este espirito e que, como sempre, seria baseada em uma história 'real'. Para minha surpresa era um projeto 100% fictÃcio. Tive medo de ser mais um conteúdo medroso, como muitos que já foram para o ar. Afinal, esse é um projeto um pouco mais ambicioso. O personagem principal, o presidente do Brasil, é um politico incorruptÃvel, digno, idealista e boemio, vivendo em um cenário polÃtico em que a corrupção e falta de escrúpulos impera.
É preciso fazer uma obra fictÃcia, que não é baseada em história real, para contar um pouco da verdade do ambiente polÃtico brasileiro e esboçar o desejo e o grito de um povo insultado.
Todas as histórias polÃticas que foram transformadas em obras para TV ou cinema (baseadas em uma história real), foram contadas absolutamente distantes da realidade (quanto aos aspectos mais sordidos).
Não se pode falar a verdade sobre a polÃtica brasileira quando há personagens verÃdicos envolvidos na trama.
É preciso fazer uma ficção com personagens fictÃcios, para contar os fatos e servir como um desabafo de uma população envergonhada e abondonada por seus lideres.
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